
Claro está, que se tem urgência em atitudes para a prevenção desse tipo de abuso. Ações já estão sendo efetivadas em algumas regiões, principalmente no Estado de São Paulo. Na cidade de São Carlos (SP) o trabalho de educar as crianças com esse fim vem sendo desenvolvido e copiado em outras regiões do estado. Nesse tipo de prevenção, as crianças são ensinadas a agir de forma a se proteger desde muito pequenas sem que seja necessário o uso da palavra “sexo”. Fazem um curso, em que são ensinadas a dizer não ao agressor e a sair rapidamente de uma situação de violência, contando o fato imediatamente a um adulto de sua confiança.
Ensina-se às crianças que há dois tipos de segredo. Um deles bom, como esconder uma festa de aniversário surpresa. Mas o segredo ruim, como alguém que faz algo que elas não gostem, esse, não podem guardar. Esse, elas têm de compartilhar com um adulto de confiança, alguém em casa ou uma professora. A outra forma de prevenção, é o Estado cumprir seu papel. As crianças que vivem em áreas sem lazer, por exemplo, são mais sujeitas a abusos sexuais principalmente quando esse fator é aliado falta de uma boa supervisão dos pais. O abuso pode ser prevenido pelo governo, pelo Estado, por exemplo, injetando dinheiro em programas de capacitação e conscientização, criando sociedades mais seguras que respeitem e protejam a criança e oferecendo lazer e lugares onde a criança possa ficar, algo como uma creche, com pessoas capacitadas.
Porém, essas formas de prevenção são insuficientes se a Justiça também não exercer o seu papel de punir o agressor. Não adianta fazermos um trabalho com o professor para que ele identifique a violência contra a criança se depois o sistema não fizer nada. Em São Carlos, até então, a impunidade era geral. O agressor sexual não era punido. E essa é uma mensagem complicada porque você está dizendo para a sociedade que esse delito não importa, que é uma coisa secundária a se preocupar. Por isso, defende-se que a criança vítima de abuso sexual possa contar à Justiça o seu caso e apontar o agressor, proposta que recebeu o nome de Depoimento sem Dano e que vem sendo estudada pelos conselhos de psicologia em todo o Brasil. Esse ato de prestar um depoimento à Justiça é sempre traumático para a criança, mas é ainda melhor do que ela silenciar sobre a violência da qual foi vítima. Ao contar, vê-se que aquilo teve um efeito sobre ela, é compartilhador. Mas isso deve ser feito com acompanhamento de gente capacitada. Ela não deve fazer isso na frente de um advogado que vai fazer perguntas ríspidas, incutindo culpa nessa criança. Todas essas dicas, estão no livro "Prevenção de Abuso Sexual Infantil: um Enfoque Interdisciplinar", da professora do departamento de psicologia da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Lucia Cavalcanti de Albuquerque Lins e da bolsista e pós-doutoranda Eliane Aparecida Campanha Araújo, que contém importantes esclarecimentos sobre a prevenção desse tipo de abuso. Uma obra recomendada a pais, professores e todas as pessoas que mantém contato com crianças.
Pessoalmente, penso que podemos começar, vestindo nossas crianças como crianças, evitando os apelos sexuais trazidos nas músicas , novelas, filmes, televisão. Monitorando o que nossos filhos procuram na Internet e principalmente sabendo quem são as pessoas com quem se relacionam.
Pessoalmente, penso que podemos começar, vestindo nossas crianças como crianças, evitando os apelos sexuais trazidos nas músicas , novelas, filmes, televisão. Monitorando o que nossos filhos procuram na Internet e principalmente sabendo quem são as pessoas com quem se relacionam.
A criança precisa brincar, fantasiar, enfim, ser criança.
Acompanhar de perto, supervisionar, é sempre a melhor prevenção.
Lygia
(Fonte: Agência Estado)


