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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Abuso Sexual Infantil, o melhor caminho é a Prevenção...


Claro está, que se tem urgência em atitudes para a prevenção desse tipo de abuso. Ações já estão sendo efetivadas em algumas regiões, principalmente no Estado de São Paulo. Na cidade de São Carlos (SP) o trabalho de educar as crianças com esse fim vem sendo desenvolvido e copiado em outras regiões do estado. Nesse tipo de prevenção, as crianças são ensinadas a agir de forma a se proteger desde muito pequenas sem que seja necessário o uso da palavra “sexo”. Fazem um curso, em que são ensinadas a dizer não ao agressor e a sair rapidamente de uma situação de violência, contando o fato imediatamente a um adulto de sua confiança.
Ensina-se às crianças que há dois tipos de segredo. Um deles bom, como esconder uma festa de aniversário surpresa. Mas o segredo ruim, como alguém que faz algo que elas não gostem, esse, não podem guardar. Esse, elas têm de compartilhar com um adulto de confiança, alguém em casa ou uma professora. A outra forma de prevenção, é o Estado cumprir seu papel. As crianças que vivem em áreas sem lazer, por exemplo, são mais sujeitas a abusos sexuais principalmente quando esse fator é aliado falta de uma boa supervisão dos pais. O abuso pode ser prevenido pelo governo, pelo Estado, por exemplo, injetando dinheiro em programas de capacitação e conscientização, criando sociedades mais seguras que respeitem e protejam a criança e oferecendo lazer e lugares onde a criança possa ficar, algo como uma creche, com pessoas capacitadas.
Porém, essas formas de prevenção são insuficientes se a Justiça também não exercer o seu papel de punir o agressor. Não adianta fazermos um trabalho com o professor para que ele identifique a violência contra a criança se depois o sistema não fizer nada. Em São Carlos, até então, a impunidade era geral. O agressor sexual não era punido. E essa é uma mensagem complicada porque você está dizendo para a sociedade que esse delito não importa, que é uma coisa secundária a se preocupar. Por isso, defende-se que a criança vítima de abuso sexual possa contar à Justiça o seu caso e apontar o agressor, proposta que recebeu o nome de Depoimento sem Dano e que vem sendo estudada pelos conselhos de psicologia em todo o Brasil. Esse ato de prestar um depoimento à Justiça é sempre traumático para a criança, mas é ainda melhor do que ela silenciar sobre a violência da qual foi vítima. Ao contar, vê-se que aquilo teve um efeito sobre ela, é compartilhador. Mas isso deve ser feito com acompanhamento de gente capacitada. Ela não deve fazer isso na frente de um advogado que vai fazer perguntas ríspidas, incutindo culpa nessa criança. Todas essas dicas, estão no livro "Prevenção de Abuso Sexual Infantil: um Enfoque Interdisciplinar", da professora do departamento de psicologia da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Lucia Cavalcanti de Albuquerque Lins e da bolsista e pós-doutoranda Eliane Aparecida Campanha Araújo, que contém importantes esclarecimentos sobre a prevenção desse tipo de abuso. Uma obra recomendada a pais, professores e todas as pessoas que mantém contato com crianças.
Pessoalmente, penso que podemos começar, vestindo nossas crianças como crianças, evitando os apelos sexuais trazidos nas músicas , novelas, filmes, televisão. Monitorando o que nossos filhos procuram na Internet e principalmente sabendo quem são as pessoas com quem se relacionam.
A criança precisa brincar, fantasiar, enfim, ser criança.
Acompanhar de perto, supervisionar, é sempre a melhor prevenção.
Lygia


(Fonte: Agência Estado)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Fora de Área (Participação na Blogagem Coletiva Em Defesa da Infância)


Às vezes penso que estou meio “fora de área”...
Houve um tempo que criança era considerada um adulto em miniatura. Havia quase nada direcionado aos pequenos. Os tempos foram mudando, os hábitos das famílias, mas as crianças... Não podiam se manifestar. Responder??? Só “sim senhor”, “não senhor”. Na escola, repetência era sinônimo de castigo, muitas vezes físico. Os meninos após as aulas desde bem novos sempre tinham um trabalho. Ajudavam os pais, entregavam compras ou jornais, limpavam jardins, qualquer coisa. Aprendiam a ser homens. As meninas aprendiam as prendas domésticas. Bordar, cozinhar, costurar. Eram criadas para o casamento.
À tardezinha, ainda faziam as tarefas escolares e depois sim, as brincadeiras na rua, acompanhadas de perto pelos pais, que sentavam na calçada a conversar com os vizinhos.
Havia respeito, cuidado, preocupação. Preocupação em fazer com que esses meninos e meninas fossem pessoas de bem, responsáveis e tivessem suas famílias bem constituídas no futuro. Preocupação com a dignidade e a moral, mais do que com o intelecto, já que continuar os estudos depois do “ginásio” era coisa para poucos e o acesso às informações era restrito ao rádio que nem todos tinham e aos jornais cujas notícias nem sempre eram de última hora. As crianças eram felizes!
O tempo passou, mais mudanças. A liberação sexual, a liberação da mulher, a liberação de tudo. Estudos mostraram que a criança era criança e não um adulto pequeno. A elas foi destinado um arsenal de métodos, leis, sistemas, códigos,estatutos.
Os pequenos trabalhos que os mantinham ocupados e que ensinavam a responsabilidade foram veementemente proibidos.
Lugar de criança é na escola!
Concordo! Tanto que sou professora, quero todas as crianças na escola.
Mas que escola? O que se aprendia no Grupo Escolar, hoje não se aprende no ensino médio. Aqui na minha cidade, quando era ainda uma pequenina cidade, o diretor da escola saía às ruas em véspera de provas e mandava para casa todos os alunos que encontrasse.
E isso com o apoio das famílias.
Bem, muitas coisas existem para se falar nas diferenças entre os tempos. Mas o que causa maior indignação é que quando descobriram a criança como ser pensante, descobriram-na também para muitas outras coisas. Tantas leis para protegê-las e nunca estiveram tão à mercê da violência, do desrespeito. Aí me pergunto... Em que parte do caminho tudo se desviou? Como uma pessoa pode destruir uma criança desse modo? E normalmente pessoa próxima. Pai, tio, vizinho, aquele grande amigo da família... Até o avô!!! Justamente aquelas pessoas que se espera, deveriam amar, cuidar, proteger...
Avô... Neste exato momento, enquanto escrevo, recebo a informação de que aqui, na minha cidade, que já foi pequenina e segura, acaba de ser preso um “avô” com sessenta e seis anos de idade, pedófilo, guarda de uma pista de skate frequentada por crianças e adolescentes que se tornavam suas vítimas. Preso em flagrante, disse tranquilamente aos policiais que não via nada demais em fazer uma coisa assim. Afinal, ele dava doces, dinheiro e brinquedos àquelas crianças, que mal tem? A idade dessas crianças? De dois a quatorze anos e de preferência meninos.
É... acho que estou mesmo fora de área. Não consigo dimensionar o sentimento de indignação que me toma neste momento. Gostaria de poder escrever mais, tanta coisa para se dizer, mas depois dessa notícia, aqui tão perto, as palavras se perdem para os fatos.
Só posso dar aqui o meu grito de socorro pelas nossas crianças!
Lygia