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segunda-feira, 20 de abril de 2009

UM OUTRO DIA



Ela olhou seu corpo... Parecia grande, cansado...
Ficou olhando até que as lágrimas inundaram seus olhos e tornaram aquele corpo uma pequena figura, estranha, bailando em meio às coisas que o rodeavam.
Lentamente ele desapareceu e ela ficou ali olhando, tentando ver o que sabia, não ia ver nunca mais.
Aquela menina passou pulando e rindo e ela nem percebeu, assim como não viu a mulher que a cumprimentou com um enorme sorriso.
Ficou ali e também não viu quando um lindo pássaro veio pousar num galho de árvore bem à sua frente. Não sentiu sequer o calor do sol que batia em seu rosto.
Para ela, existia apenas aquela solidão que a partida dele deixara em seu coração.
Devagar, subiu os degraus. A escada parecia não ter fim. Entrou em casa, fechou a porta e sentou-se. Encolheu as pernas sobre o sofá, cruzou as mãos entre os joelhos e baixou a cabeça num gesto desanimado e triste.
Quanto tempo ficou assim? Não sabia... Devia fazer muito tempo porque a escuridão entrou de mansinho acompanhada pelo frio, envolvendo tudo... cada objeto, cada cantinho, tomando conta daquele ambiente. Depois, o silêncio chegou sorrindo e sentou-se junto dela.
Ficaram ali os quatro, juntos, sem pensar em separação. Um era parte do outro e da companhia de um dependia o bem estar do outro.
Mas de repente, um raio de luz apareceu!
A escuridão respirou fundo e foi deixando a sala devagar. O frio se foi com ela.
Foi então que os raios de sol invadiram aquele cômodo e o silêncio, beijando sua testa, despediu-se quando os carros começaram a passar lá fora.
Aquele lindo pássaro novamente cantou alegre, dizendo que um novo dia começava... A noite ainda demoraria a chegar.
Sim! Tudo seria diferente agora! Era um novo dia e apenas começava! Que bom! Tudo ia ser diferente... Tudo diferente... Diferente...

D.B.C.


A autora deste texto, é uma "garota" de 85 anos de idade e tem como formação, apenas a 4ª série do ensino fundamental (Grupo Escolar, na época). Autorizou a publicação do texto, porém pediu que não fosse divulgado seu nome (morre de vergonha!). Uma pessoa maravilhosa que ainda sonha e mantém a alegria e o romantismo da adolescência.