sábado, 10 de julho de 2010

O Dono do Olhar




O tempo passeia nas sombras presentes. O olhar distante parece nortear o caminho. Os personagens desfilam nas ribaltas do mundo com os papéis decorados, cruzam os cenários nos elencos escalados.
Destino, acaso...? Sortes do mundo nos jogos cotidianos, possibilidades...
O signo do encontro perdido em algum significado. Uma ausência tão presente a desenhar as faces, os olhares, os gestos...
Poderia ter sido no ponto de ônibus, na padaria, na exaltação de um comício político, sob a culpa de uma imagem religiosa, mas... Os personagens nasceram distantes, caminhavam em trilhas diversas... A mulher percorria o dia com o desenho de um eclipse lunar no ventre ardente, o homem passeava nas estrelas em busca do calor dos seios amanhecidos... O céu dos ideais dividindo o universo. Noite e dia, sol e lua, necessidade do complemento. Fragmentos de afeto e carinho.
Quem sabe uma linha cruzada?
Uma voz distante a afirmar sua verdadeira presença:

-Estou aqui! Espero! Existo!

Ideais românticos perdidos no caótico dia-a-dia. A espera do definitivo encontro desfaz-se nos desencontros rotineiros. A expectativa sob as nuvens de um céu cinza alimenta os firmamentos poéticos, os versos eróticos, a prosa romanceada... Colore os anseios com alguma luminosidade.
A mulher e o homem se reconstroem na ficção.
Um salão cheio, um olhar forte a marcar os passos. O homem aproxima-se, a multidão afasta-o, a mulher interioriza o desejo, o homem exterioriza a palavra. A primavera lança ao vento os primeiros polens. Borboletas preenchem os céus em cores e vôos prósperos. Novas estações amadurecem os personagens.
A mulher percebe-se como um oceano possível de navegação, o homem compreende-se em um andarilho de tantos desertos. Ambos desfilam no mundo sob o mesmo céu. São as tantas fantasias em que se aventuram, sonham e despertam. São os tantos receios que lhes cerceiam a liberdade...
Novo encontro... O olhar amadurecido desfolha as folhas de outono, abandona o frio dos dias brancos de inverno, abre a selvagem flor nas entranhas primaveris. Madrugadas prolongam o encontro dos corpos, a extensão do encantamento, o semear dos adormecidos sonhos...
A mulher repousa nos braços do dono do olhar. Busca, com os olhos cerrados e um liberto sorriso, a percepção de todos os momentos... O olhar profundo emoldurando as palavras suaves, alicerçando a construção de um templo seguro de tantas profecias; o olhar vibrante a queimar o desejo de um corpo embriagado de prazer nos rituais bacantes de fertilidade.
O homem sente redesenhar o relevo do corpo da mulher a quem se entrega com a nudez de todas as máscaras, com a perspectiva do casto sentimento. Penetra nas tantas visões e sonhos femininos, alimentando a realização e a carência de cada movimento...
Os personagens criam um novo paralelo, entregam-se ao desvirginamento do cotidiano... Vivem nos céus confusos dos primeiros momentos, convivem nos belos horizontes tão marcados de amanhã...
O olhar cresce na gestação de um novo olhar para o mundo.

Helena Sut

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Amor... Vida... Entrega...


Como sempre frisei, aqui falamos de amor e nada mais apropriado para a época, considerando o Dia dos Namorados, e por que não, de Santo Antonio Casamenteiro???? rsrsrs
Pensando nisso, lembrei-me dessa história simples mas que fala de um amor profundo e verdadeiro de um príncipe por sua princesa.... Resolvi contar prá vocês. Vale como reflexão.
A quem tem um namorado, seja ele recente ou companheiro de uma vida, ame sempre, sem esperar nada em troca. Ame muito. Doe-se ao seu amor...
A quem não tem, ame-se, apaixone-se por você e seja feliz!
Vamos ao nosso Príncipe...

O grande rei dos persas, Ciro, durante uma de suas campanhas guerreiras, dominou o exército da Líbia e aprisionou um príncipe. Levado à presença do conquistador ajoelhou-se perante ele o príncipe, e assim também os seus filhos e sua esposa.
Os soldados vencedores, os generais da batalha, ministros e toda uma corte se juntou para tomar conhecimento da sentença real. O rei persa coçou o queixo, olhou longamente para aquela família à sua frente, à espera de sua decisão e perguntou ao nobre pai de família:
-Se eu te disser que te concederei a liberdade, o que poderias me oferecer em troca? Rapidamente respondeu o prisioneiro:
-Metade do meu reino.
Ciro continuou, paciente, a interrogar:
-E se eu te oferecer a liberdade dos teus filhos, que me darás?
Ainda rápido, tornou a responder:
-A outra metade do meu reino.
Calmo, o conquistador lançou a terceira pergunta:
-E o que me darás, então, em troca da vida de tua esposa?
O príncipe sentiu o coração pulsar rapidamente no peito, parecendo arrebentar a musculatura. O sangue lhe subiu ao rosto, as pernas fraquejaram. Reconhecia que, no anseio da liberdade dos seus, tinha oferecido tudo, sem se recordar da companheira de tantos anos, sua esposa e mãe dos seus filhos. Foi só um momento mas, para todos, pareceu uma eternidade. Um sussurro crescente tomou conta do ambiente, pois cada qual ficou a imaginar o que faria agora o vencido. Após aquele momento fugaz, ele tornou a erguer a cabeça e com voz firme, clara, que ressoou em todo o salão, disse:
-Alteza, entrego a mim mesmo pela liberdade de minha esposa.
O grande rei ficou surpreso com a resposta e decidiu conceder a liberdade para toda a família.
De retorno para casa, o príncipe tomou da mão da esposa, beijou-a com carinho e lhe perguntou se ela havia observado como era serena e altiva a fisionomia do monarca persa.
-Não, disse ela. Não observei. Durante todo o tempo os meus olhos ficaram fixos naquele que estava disposto a dar a sua própria vida pela minha liberdade.

Para quem ama, não há limites na doação. Quando dois seres se amam verdadeiramente eles mesmos um ao outro sustentam, na jornada dos dissabores e das lutas. O amor , é um exercício que requer respeito, paciência e dedicação. Solidifica-se através dos anos. E tanto mais se aprofunda quanto mais intensas se fazem as lutas e as conquistas de vitórias. Para os que se amam profundamente não há lutas impossíveis, não existem batalhas que não possam ser vencidas.
Em todos os departamentos do Universo existe a mensagem do amor, que é o estágio mais elevado do sentimento.
O homem somente atinge a plenitude quando ama. Enquanto procura ser amado, sofre infância emocional. Por isso, o importante é amar, mesmo que não se receba a recíproca do ser amado. O que é essencial é amar, sem solicitação.

(Redação do Momento Espírita com base no conto Olhando só para ele, do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan, ed. Record e pensamentos finais do cap. 2 do livro Convites da vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. )


Com a licença de todos, tomo essa história como uma homenagem ao meu amor/amigo, por quem, sem titubear, daria minha vida. Amo você...

Lygia

domingo, 15 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DE ANJO PRÁ ANJO...


Que alegria!!!! Você chegou!
Tão esperado, tão amado... Chega com nome daquele semelhante a Deus. O chefe dos Arcanjos. O guerreiro.
Certamente os anjos que ficaram, estão tristes por sua partida...
Mas essa viagem é como uma viagem de barco... quem fica, acena o lenço branco da despedida, chora a separação e fica ali parado, olhando o barco se afastar até se tornar um ponto no horizonte.
Quando quase não se pode mais enxerga-lo, quem está esperando o avista... longe...
Aos poucos o barquinho vai aumentando de tamanho e chegando mais perto, até que aporta em braços felizes e seguros. Lágrimas, agora de alegria.
Por isso, não se assuste, nem se preocupe com seus amigos que lá deixou... Eles estarão sempre enviando seu carinho para que você se sinta forte e protegido.
E aqui, é o início de um longo caminho.
Cá entre nós, de Anjo pra Anjo, esse caminho nem sempre é florido e tranqüilo. Bem ao contrário... é cheio de espinhos e obstáculos. Mas olhe sempre para frente e confie.
Confie nesses seres que agora te tomam nos braços e a quem chamará Pai e Mãe.
Você pode não se lembrar, mas os escolheu para serem teus guias por esse caminho.
E foi uma escolha iluminada!
Eles sempre terão o carinho e a firmeza para segurar suas mãos, amenizar a dor dos espinhos, às vezes até tirar alguns... Vão te ajudar a superar obstáculos e quando não souber pra onde ir, terão a sabedoria para te indicar o caminho certo a seguir.
E você, que deles terá a inteligência e a beleza, saberá retribuir esse amor trazendo-lhes alegrias e realizações. São pessoas maravilhosas que te esperaram com muita ansiedade e te darão todo o amor do mundo... Siga tranquilo, você está em segurança.
Seja feliz nesse novo lar, nessa nova vida... Que o Pai do Céu te ilumine, e a seus pais, para que sua jornada seja cheia de felicidade.
Quem sou eu? Talvez um dia você ouça falar de mim... Talvez não...
Por hora, basta saber que alguém me chama de anjo... E que apesar de ser um anjo atrapalhado, que está sempre no lugar errado e na hora errada, me foi dada a abençoada permissão de estar por perto na sua chegada...
Seja bem vindo Anjo... Seja bem vindo Miguel...

Lygia

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mulheres Fortes


Ah, como deve ser boa a vida das mulheres frágeis; elas sempre têm alguém que lhes carregue os embrulhos, preencha o Imposto de Renda, troque o pneu do carro, e por aí vai. As fortes fazem tudo sózinhas e são sempre chamadas nas horas do aperto: elas aguentam qualquer tranco e são tão fortes que se metem até mesmo onde não são chamadas para ajudar a resolver os problemas dos outros.

Elas acreditam no personagem, veja só. É dura a vida das fortes, que não são poupadas de nada. Se alguém está com uma doença grave, é a elas que vão contar. Se a namorada do sobrinho ficou grávida, são as primeiras a saber e quando alguém da família é preso com uma trouxinha de maconha são imediatamente chamadas para as providências de praxe, enquanto os pais e mães desses jovens adoráveis estão tomando uma vodka à beira da piscina, sem saber de nada... eles não aguentariam um choque desses e precisam ser poupados porque são frágeis.

Fora os problemas financeiros, é claro.

Existe sempre alguém para cuidar dos frágeis, seja um parente, um amigo, até um vizinho que bate à porta preocupado com o silêncio e para saber se ela está precisando de alguma coisa.

Uma mulher frágil é mais frágil que um recém-nascido e como os homens adoram o papel de protetores, para se sentirem fortes e poderosos, é a união perfeita da fome com a vontade de comer. Quando elas ficam doentes, um verdadeiro exército é mobilizado; um leva revistas, outro um embrulhinho com pêras, maçãs e uvas, e se ela não tem empregada, não falta alguém que vá para a cozinha fazer uma canjinha.

Preste atenção que vai perceber que essas mulheres frágeis são indestrutíveis.

As fortes, na hora de uma crise de coluna, se arrastam até a geladeira para pegar um copo de água e se alimentam o fim de semana inteiro com uma barra de chocolate, pois ninguém telefona para saber se precisam de alguma coisa. E elas, verdade seja dita, preferem morrer de inanição a pedir socorro, para não cair o tipo.

Há uma pesquisa a ser feita: uma mulher frágil nasce frágil ou escolhe essa profissão para se dar bem na vida? Por que elas se dão bem e sempre encontram um homem, talvez ainda mais frágil do que elas, para cuidá-las, acarinhá-las e cuidar para que nada as atinja, nunca? Afinal, ela é tão frágil, coitadinha...

Enquanto isso, as fortes se acabam de trabalhar, e são elas que saem do supermercado com pacotes de compras, sem que ninguém se proponha a dar uma ajuda, mesmo que modesta.

Somos todos estimulados a ser fortes, mas boa vida mesmo levam as frágeis, daí a dúvida: não seria melhor que as mães, os pais e os colégios ensinassem as crianças a ser frágeis? Assim sempre haverá alguém para cuidar delas, a vida toda. E aliás, qual a vantagem de ser forte, além de saber que um dia alguém se referiu a ela dizendo "aquela é uma mulher forte"? Um grande elogio, é verdade. Mas e daí? Toda mulher forte tem um desejo secreto que não conta nem a seu travesseiro: que alguém, e não é preciso que seja um homem, faça um gesto por ela, de vez em quando. Nada de muito importante, apenas cuidado, do tipo dizer que a está achando pálida, perguntar se tem se alimentado direito, pegar pelo braço e levar tomar uma vitamina bem forte.

Sabe qual é o sonho dourado de uma mulher forte? Ter uma gripe com 38° de febre e poder ficar na cama. Mas para ela, até essa gripe é difícil, pois uma mulher forte não adoece e se isso acontecer, o mais difícil vai ser receber ajuda, pois uma mulher forte não deixa que ninguém faça nada por ela, mesmo precisando desesperadamente, para não passar por frágil. É capaz de preferir se deixar morrer de tristeza, solidão e sofrimento a pedir socorro seja a quem for.

Como são frágeis, as fortes!....

Danusa Leão

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eu Não Existo Sem Você (Tom Jobim e Vinícius de Morais)





Eu sei e você sabe


Já que a vida quis assim,

Que nada neste mundo

Levará você de mim...

Eu sei e você sabe

A distância não existe,

E todo grande amor

Só é bem grande se for triste,

Por isso meu amor

Não tenha medo de sofrer,

Pois todos os caminhos

Me encaminham pra você...

Assim como o oceano

Só é belo com o luar;

Assim como a canção

Só tem razão se se cantar;

Assim como uma nuvem

Só acontece se chover;

Assim como o poeta

Só é grande se sofrer;

Assim como viver

Sem ter amor, não é viver;

Não há você sem mim,

Eu não existo sem você!
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Palavras não são necessárias.... Basta o olhar...


terça-feira, 18 de agosto de 2009

A maior emoção da vida...

Aqui já escrevi sobre mães, sobre amores, sobre anjos, mas tive uma experiência única um dia desses com um Pai, que não pude deixar passar em branco.
Daqueles Pais com “P” maiúsculo mesmo. Difícil de encontrar.
Confesso que sempre achei que os pais nunca poderiam sentir um amor tão grande pelos filhos como as mães. Afinal, eles não geram esses filhos, não o carregam na barriga, são meros expectadores de uma ligação que se inicia com a concepção e sendo assim, muito antes que eles possam ver aquele ser tão pequeno e indefeso que dele, leva apenas uma parte microscópica.
O amor de Pai tem que ser construído, dia a dia, enquanto a mãe já tem essa ligação natural, tem um cordão que a liga a esse novo ser, já o alimenta e o vê crescer desde o primeiro momento.
Já vi pais que assumem seus filhos, que se dedicam. Vi aqueles que suprem todas as necessidades materiais para mascarar a falta de atenção. Aqueles, que como o pai dos meus filhos, desaparecem, não suprem nada , não acompanham o crescimento e o desenvolvimento dos filhos para um dia, quando estes já estiverem crescidos e formados reaparecerem reivindicando seu título, claro que rejeitado por eles.
E numa situação extrema estão aqueles homens que “fazem filhos”. Mero contato físico com alguém numa situação dita incontrolável (desculpa inadmissível nos dias atuais), sem nenhuma ligação emocional e põem no mundo crianças que acabam rejeitando, negando e abandonando como se fossem nada. E quantas mulheres “desprevenidas” encontram-se em situação desesperadora com seus filhos, passando toda a sorte de necessidades e que muitas vezes optam até por abandoná-los também?
Mas esse homem... Esse Pai...
Os pais de primeira viagem adoram assistir ao nascimento dos filhos, filmam, tiram fotos, se emocionam, às vezes dão mais trabalho que a própria parturiente na sala de cirurgia, para depois poder contar a todos o grande feito. Como se esse fosse o único momento importante na vida daquele ser que vem ao mundo e seu ato heróico precisa ser registrado. Depois o tempo passa e tudo fica no filme e nas fotos.
Acho que uma das sensações mais fortes que tive na vida foi a de ouvir desse homem a descrição do nascimento do seu filho.
Depois de acompanhar passo a passo a cesariana a que foi submetida sua mulher, com as devidas explicações passadas pelo obstetra, finalmente veio à luz o grande e único amor da sua vida. (palavras dele....)
Emudeci diante da emoção com que me descrevia aquele momento... Lágrimas correram pelo meu rosto e meu coração se encheu de ternura.

“... Foi amor verdadeiro o que senti por aquele ser que estava numa espécie de travessa quando o vi pela primeira vez de olhinhos já abertos. Coloquei sua felicidade à frente da minha sempre que foi necessário e colocarei sempre que assim for. A paternidade dessa criatura é algo pra mim muito mais importante que a minha felicidade.
Naquele dia, naquela hora, nasceu com certeza a pessoa que mais amo nesta vida e nada vai mudar isso.”

No mês dedicado aos pais, deixo minhas homenagens a este homem a quem já admirava por vários outros motivos mas que depois dessa declaração de amor tornou-se único e me fez aprender que um homem é sim capaz de amar com toda a sua alma.
Obrigada por mais essa emoção. Que Deus continue iluminando você para que possa por muito tempo sentir e dar esse amor que "começa lá onde não se espera mais nada em troca”.

Lygia

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Soneto do Amor Total


Amo-te tanto, meu amor ... não cante...
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

domingo, 26 de julho de 2009

Nada Normal (Vitor e Leo)

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Lareira pra acender
Um céu pra se olhar
E tudo está tranquilo por aqui

Você vai me vencer
Eu vou me apaixonar
Não há mais o que decidir

Os nossos lábios
todas as palavras nada dizem
Aos nossos olhos tudo o que já vimos foi vertigem
É tudo tão real
Mas nada normal

Te lembro e já me sinto ao seu lado, no seu mundo
Me identifico com você de um jeito tão profundo
E é tudo tão real
Mas nada normal

sábado, 18 de julho de 2009

Um Anjo no Fim do Mundo

Onde mora o amor? Onde mora o meu amor? Só um anjo pode responder.
Um amor tão grande, uma ligação tão profunda... Só pode morar no Fim do Mundo...
Distância, tempo, palavras destrutivas, nada até hoje conseguiu desfazer o laço que une o Anjo ao seu amor. Esse laço, tem a espessura de um fio de cabelo e mais força do que qualquer outra coisa que possa ser usada para aprisionar. Une fortemente mas não aprisiona.
Espera... muita espera...
Paciência... muita paciência...
Certeza... certeza de que chegaria o dia em que esse laço seria ainda mais estreito e que os encontros, antes acontecidos na Madrugada, entre as almas, logo fariam reiniciar uma tarde, uma noite, uma vida...
E esse dia finalmente chegou.
O Anjo vem do céu.
Do alto, as cidades iluminadas, parecem formar uma trilha indicando o caminho a seguir, como numa homenagem àquele momento sublime.
Emoção... inexplicável.
Aos poucos, as luzes, as pessoas, todo o movimento foi sendo deixado para trás. Uma música maravilhosa pelo caminho e enfim, no meio do nada, a morada do amor, do meu amor.
Somente as estrelas por testemunha. Silêncio completo.
A casa simples se torna um castelo envolvido por uma luz intensa.
O cão, tão simpático e brincalhão, é o guardião solitário.
Do lado de dentro, poucas coisas, a maioria delas espalhadas. Só o dono pode entender. Quase nenhuma modernidade. As paredes amarelas iluminam como o sol.
Pode-se sentir que em cada canto, o amor se faz presente.
No Fim do Mundo, não se conta o tempo, não se marca a hora. Não há necessidade.
Só se sabe que é dia porque o céu é de um azul limpo, profundo com nuvens muito brancas, que brincam o tempo todo, mudando suas formas. Sabe-se que é noite pelo brilho da lua e das estrelas que, como diz a música que ouvi um dia, mudam de lugar e chegam mais perto, só pra ver a grandeza desse instante.
No olhar, todo o amor do mundo... Num toque, a fusão de almas... Cumplicidade...
Não existe palavra em qualquer dicionário, em qualquer idioma que possa definir esse momento...
Não importa.
Nada mais importa. O sonho se realizou.
O Anjo Lindo chegou ao Fim do Mundo.

Lygia

terça-feira, 7 de julho de 2009


Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta...
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.


Pablo Neruda


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um Anjo Muito Especial (Roupa Nova)


Eu vim pra ser seu anjo
Pra lhe proteger
Do céu de onde eu desci
Eu vim cuidar de você

Quem sabe ouvir um anjo
Sabe adivinhar
E ver o caminho
Por onde deve andar

Sorrir é melhor quando soma e traz
Um outro sorriso em alguém
O que você dá
O mal e o bem
E vai mas volta também

Por isso eu sou seu anjo
Só pra você ver
Por mais que eu seja um anjo
Meu milagre é você!

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Se você quiser ouvir a música é só clicar Play no radinho. Vale a pena... É linda...


Lygia

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Renascer da Alma


Ela era uma menina de classe média, quando a classe média ainda existia... Filha única, seus pais sempre se preocuparam em lhe oferecer uma boa educação. Estudava nos melhores colégios, tocava piano, dançava... Tudo o que uma menina de boa família tinha direito na época.
Aos 18 anos o diploma de magistério. Orgulho de todos. O trabalho, mesmo sem precisar. Ela não gostava de depender dos pais.
Era bonita, vestia-se bem, era vaidosa, apesar de gordinha. Querida por todos, tinha muitos amigos, namorados não faltavam. Uma família unida, amorosa, estavam sempre juntos.
Uma noite, quando em visita aos avós no interior, conheceu um rapaz. Lindo, simpático, falante. Amor à primeira vista? Literalmente, pois antes mesmo de conversarem ela disse às amigas.
–“Eu vou me casar com aquele moço!”
Quatro meses depois ficaram noivos, mais cinco e se casaram. Casaram?
Foram nove meses muito atribulados. Uma "gestação" de alto risco.
Aquele rapaz bonito não trabalhava, era agressivo e a dominava completamente. E numa noite, depois de (mais) uma briga e de desmanchado o noivado, o moço irrompeu na festa de casamento da melhor amiga dela vestindo bermudas e chinelos e a levou embora. Depois de muita conversa, disse a ela que se não ficasse com ele naquele momento, não o veria nunca mais. Não havia nenhuma necessidade disso, pois apesar da família ser contra, respeitava a decisão da filha. Mas ela sempre cedia às chantagens e ficou.
Os pais, os amigos, todos tentaram demovê-la daquela loucura, mas em vão. Ela abandonou tudo. A família, o conforto, os amigos para se dedicar àquele que pensava amar. Um ano depois, o primeiro filho, dois anos e veio o segundo. Quando soube que ia ser pai pela primeira vez, alguma coisa começou a mudar. Parecia que não tinha gostado muito da idéia, sua agressividade aumentou. O segundo? Disse que não era dele. Separaram-se...
Ela voltou a trabalhar, estava refazendo sua vida, seis meses se passaram e ele não a deixou em paz, até que novamente cedeu a seus apelos amorosos. E novamente ela deixou tudo para traz. A família e os amigos que tanto a apoiaram. E se foi com ele e agora com dois filhos de dois e um ano. E agora para longe. Inevitável uma nova gravidez. Desta vez veio a mais linda menina do mundo. Moravam os cinco numa casinha de três cômodos. Sem piso e sem vidro nas janelas. E ela nunca reclamou. Nessa altura, já nem de longe lembrava aquela menina de antes. Lavava roupas no tanque. Quantas fraldas! E ele, finalmente arrumou um emprego! Trabalhava como vendedor. Viajava a maior parte do tempo e ela criava sozinha seus três filhos. Três bebês.
Seriam quatro no ano seguinte, quando ele trouxe uma notícia que a feriu quase que mortalmente. Quase não, feriu sim mortalmente porque só o físico ficou. A alma não quis mais viver. Ele tinha tido um filho com outra mulher. Depois de tudo, ele a havia traído sem remorsos.
A partir daí, ela sofreu todo tipo de agressões. Físicas, morais. Não mais se abalava, parecia que não era ela quem estava ali. Passava por tudo aquilo impassível. Sempre machucada, olho roxo, boca cortada, cicatrizes por todo corpo... e no coração. Na pior delas, ele derramou sobre ela um litro de álcool e riscou o isqueiro. Hospital, três meses, quase quatro. Quase a morte. Mais cicatrizes, mais dores. Mesmo assim, ela continuou ali, até que ele trouxe a “outra” e o filho para perto e foi morar com eles. Ainda depois disso, as agressões continuaram até que seu filho mais velho, agora com doze anos pediu socorro. Gritou para que ela fizesse alguma coisa. Por ele, pediu ajuda e acabou livrando-se daquele jugo. O apoio da família. Mais uma vez o trabalho. As coisas agora já não eram tão fáceis, mas precisava ir em frente, tinha seus filhos, seu motivo para continuar.
Muitos anos se passaram. Ela não mais o viu. Com dificuldade se refez. Concentrou-se na criação dos filhos, esqueceu da mulher. Da mulher que apesar do tempo e das cicatrizes ainda tinha sua beleza.
O tempo passou, os filhos cresceram e ela de repente, sem aviso, encontrou o amor. Não o viu nem ouviu, mas reconheceu de pronto seu amor de todas as vidas. A princípio, sentiu algo diferente... Não queria, não acreditava... Mas com o tempo, aquele sentimento foi se enraizando. Enfim, um olhar... Aquele olhar lhe deu a certeza de que sua alma voltaria a viver. Uma dificuldade imensa em crer, em confiar, mas não pode resistir. Um amor complicado, como tudo até hoje, mas desta vez com toda a certeza, o grande amor da sua vida.
Os anjos disseram amém...

Lygia

terça-feira, 16 de junho de 2009

O LAÇO


Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... Uma fita dando voltas... Ela se enrosca mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
O laço é um abraço. Um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde ele é feito.
E quando se puxa uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo e fica solto no vestido. E na fita, que curioso, não faltou nenhum pedaço.
Ah! Então é assim o amor, a amizade! Tudo o que é sentimento bom é como um pedaço de fita na qual se dá um laço.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livres as duas bandas do laço.
É como um abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
Então o amor é isso! Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó já deixou de ser um laço...
... O laço requer aprendizado. É uma arte. E se podem fazer laços muito bonitos, pequenos ou grandes, mas que agradam aos olhos.
Demora para fazer mas o resultado vale a pena. E se não gostarmos, basta puxar delicadamente, desfazer tudo e começar de novo.
Assim são também os laços dos sentimentos. É preciso aprender a enlaçar os corações das criaturas, usar da gentileza, do respeito, da atenção, do carinho.
Dá trabalho sim, mas esse é o laço que nos vai dar a verdadeira felicidade.
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Este texto encontra-se publicado na íntegra no livro "TERAPIA DA PAZ" de Donizete Pinheiro.
O livro contém esta e outras mensagens lindas, falando de atitudes que muitas vezes, deixamos passar ou como no caso do Laço, nunca paramos para reparar e analisar. Utilizo esse livro e seus textos diariamente em momentos de reflexão junto aos meus alunos e aprendo muito com isso. É uma leitura leve, daquelas que precisamos ter sempre à mão.

Recomendo a todos.

Lygia

segunda-feira, 15 de junho de 2009

SELO SETE COISAS RARAS SOBRE MIM


Recebi da minha amiga Angel. Obrigada!!!!



Devo revelar sete coisas sobre mim.

Vou tentar falar coisas que permitam aos meus amigos me conhecerem um pouco melhor...

1 - Sou muito risonha... Dou risada principalmente quando não pode! rsrsrsr

2 - Adoro ler. Leio qualquer coisa que aparecer, até bula de remédio!!!

3 - Gosto muito de dançar e modéstia à parte é uma das coisas que faço direitinho.

4 - Gosto de água! Natação é meu esporte preferido apesar de não praticar há algum tempo.

5 - Odeio mentiras e falsidade.

6 - Sou muito dorminhoca. Vivo perdendo a hora!

7 - Eu amo, e é prá valer. Me entrego de corpo e alma ao meu amor.

Eu ofereço este prêmio a:

Dani do http://adoreadeliciadeserquemeusou.blogspot.com/

Marcela do http://marcela-nutricao.blogspot.com/

Tania do http://taniazotto.blogspot.com/ (Desirre Poesias)

Chiara do http://alichiara.blogspot.com/

Ciganinha do http://cigana26hotmailcom.blogspot.com/

Nayla Mony do http://naylamony.blogspot.com/

domingo, 7 de junho de 2009

SOBRE O AMOR, ROSAS E ESPINHOS...


Tenho uma opinião sobre o verdadeiro amor um pouco diferente da maioria das pessoas. Acredito que amor não combina com orgulho, egoísmo, egocentrismo.
Amor é desprendimento, doação, perdão.
Não existe nada que possa acabar ou diminuir um amor de verdade. Tempo, distância, diferenças, nada... Algumas pessoas me dizem que isso é ser submissa. Aceitar tudo o que o outro apresenta é falta de “amor próprio”. Mas como posso me amar se não me entregar plenamente àquele que é o dono desse meu amor? Para mim, só assim pode ser vivido esse sublime sentimento. E é assim que eu amo. Não sem dor, mas como diz o texto do Padre Fabio, quem deseja a flor precisa aceitar os espinhos. Tudo vale a pena...

Lygia
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Amor que é amor dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor. O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou. O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto." O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração que sozinhos jamais poderíamos enxergar. O poeta soube traduzir bem quando disse: "Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!" Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha cegueira. Eu possuía e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha...
...Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois... Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou, e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo, nem tampouco fora do cultivo. Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira. A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas... Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá que saber que com ela vão inúmeros espinhos. Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos...

sábado, 30 de maio de 2009

Rifa-se um coração


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconsequente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos
que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir.
Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Clarice Lispector

Bom seria se pudessemos mesmo rifar um coração teimoso , que insiste em amar e sofrer... Mas ele tem vontade própria... Não nos deixa saída...

Lygia

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Selinho Glamouroso


Depois de tratarmos de um assunto tão sério como a violência contra a criança, não podia deixar de trazer uma deliciosa birincadeira que recebi junto com um lindo selinho, da minha doce amiguinha Nayla Mony. Uma menina linda, que seguindo os passos da mãe, se interessa por muita coisa boa. Seu blog é uma delícia, literalmente, tem cada receita!!!! rsrsrs
Em meio a tanta dor sofrida pelas crianças citadas na blogagem dessa semana, temos aqui um exemplo oposto. Uma menina feliz, inteligente, e muito linda.
Obrigada Nayla! Continue nesse caminho. Você vai longe!

Bem, aí está...
São duas etapas de regras a serem cumpridas vamos a elas:
Primeira Etapa:

1- Listar cinco desejos de consumo que a deixariam mais glamourosa:
  • Uma tarde de compras no Shopping


  • Uma plástica aqui... neste pedacinho do corpo inteiro... rsrsrsrs


  • Sapatos.... muitos sapatos.


  • Brincos, anéis... Sou louca por isso!


  • Um cruzeiro às Ilhas Gregas...

2-Fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer:

  • Uma viagem ao "Fim do Mundo".


  • Rever o meu amor.


  • Ter mais um filho.


  • Ver mais justiça social no mundo.


  • Ver meus filhos realizados e felizes.


  • Rever alguns amigos queridos que não vejo há tempos.


  • Conhecer o Brasil e alguns lugares que acho interessantes no mundo.


  • Minha realização profissional.

Segunda etapa:


3-Deixar um comentario para quem a convidou.

4- Indicar 10 amigas glamourosas e avisá-las que foram escolhidas:

  • Ester : Esterança (http:/esterança.blogspot.com)

  • Marcela: Alimentos, Nutrição e Informação (http:/marcela-nutrição.blogspot.com)

  • Angel: Anjos sem Asas (http:/angel-acasos.blogspot.com)

  • Michelle: Carrossel da Aprendizagem (http:/carrosseldaaprendizagem.blogspot.com)

  • Tania: Blog da Desirre Poesias (http:/taniazotto.blogspot.com)

  • Ana: Pelos Caminhos da Vida (http:/anames.blogspot.com)

  • Naira: Quando Fala o Coração (http:/nairaribeiro.blogspot.com)

  • Elaine: Um Pouco de Mim (http:/elainegaspareto.blogspot.com)

  • Iva: Compondo o Olhar (http:/ivapacini.blogspot.com)

  • Ana: Além do Horizonte (http:/ana-guima.blogspot.com)

Meninas, falamos da infância triste.
Vamos incentivar a alegria, a disposição e a meiguice da linda Nayla... (http:/naylamony.blogspot.com)

Beijos a todas!

Lygia

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Abuso Sexual Infantil, o melhor caminho é a Prevenção...


Claro está, que se tem urgência em atitudes para a prevenção desse tipo de abuso. Ações já estão sendo efetivadas em algumas regiões, principalmente no Estado de São Paulo. Na cidade de São Carlos (SP) o trabalho de educar as crianças com esse fim vem sendo desenvolvido e copiado em outras regiões do estado. Nesse tipo de prevenção, as crianças são ensinadas a agir de forma a se proteger desde muito pequenas sem que seja necessário o uso da palavra “sexo”. Fazem um curso, em que são ensinadas a dizer não ao agressor e a sair rapidamente de uma situação de violência, contando o fato imediatamente a um adulto de sua confiança.
Ensina-se às crianças que há dois tipos de segredo. Um deles bom, como esconder uma festa de aniversário surpresa. Mas o segredo ruim, como alguém que faz algo que elas não gostem, esse, não podem guardar. Esse, elas têm de compartilhar com um adulto de confiança, alguém em casa ou uma professora. A outra forma de prevenção, é o Estado cumprir seu papel. As crianças que vivem em áreas sem lazer, por exemplo, são mais sujeitas a abusos sexuais principalmente quando esse fator é aliado falta de uma boa supervisão dos pais. O abuso pode ser prevenido pelo governo, pelo Estado, por exemplo, injetando dinheiro em programas de capacitação e conscientização, criando sociedades mais seguras que respeitem e protejam a criança e oferecendo lazer e lugares onde a criança possa ficar, algo como uma creche, com pessoas capacitadas.
Porém, essas formas de prevenção são insuficientes se a Justiça também não exercer o seu papel de punir o agressor. Não adianta fazermos um trabalho com o professor para que ele identifique a violência contra a criança se depois o sistema não fizer nada. Em São Carlos, até então, a impunidade era geral. O agressor sexual não era punido. E essa é uma mensagem complicada porque você está dizendo para a sociedade que esse delito não importa, que é uma coisa secundária a se preocupar. Por isso, defende-se que a criança vítima de abuso sexual possa contar à Justiça o seu caso e apontar o agressor, proposta que recebeu o nome de Depoimento sem Dano e que vem sendo estudada pelos conselhos de psicologia em todo o Brasil. Esse ato de prestar um depoimento à Justiça é sempre traumático para a criança, mas é ainda melhor do que ela silenciar sobre a violência da qual foi vítima. Ao contar, vê-se que aquilo teve um efeito sobre ela, é compartilhador. Mas isso deve ser feito com acompanhamento de gente capacitada. Ela não deve fazer isso na frente de um advogado que vai fazer perguntas ríspidas, incutindo culpa nessa criança. Todas essas dicas, estão no livro "Prevenção de Abuso Sexual Infantil: um Enfoque Interdisciplinar", da professora do departamento de psicologia da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Lucia Cavalcanti de Albuquerque Lins e da bolsista e pós-doutoranda Eliane Aparecida Campanha Araújo, que contém importantes esclarecimentos sobre a prevenção desse tipo de abuso. Uma obra recomendada a pais, professores e todas as pessoas que mantém contato com crianças.
Pessoalmente, penso que podemos começar, vestindo nossas crianças como crianças, evitando os apelos sexuais trazidos nas músicas , novelas, filmes, televisão. Monitorando o que nossos filhos procuram na Internet e principalmente sabendo quem são as pessoas com quem se relacionam.
A criança precisa brincar, fantasiar, enfim, ser criança.
Acompanhar de perto, supervisionar, é sempre a melhor prevenção.
Lygia


(Fonte: Agência Estado)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Fora de Área (Participação na Blogagem Coletiva Em Defesa da Infância)


Às vezes penso que estou meio “fora de área”...
Houve um tempo que criança era considerada um adulto em miniatura. Havia quase nada direcionado aos pequenos. Os tempos foram mudando, os hábitos das famílias, mas as crianças... Não podiam se manifestar. Responder??? Só “sim senhor”, “não senhor”. Na escola, repetência era sinônimo de castigo, muitas vezes físico. Os meninos após as aulas desde bem novos sempre tinham um trabalho. Ajudavam os pais, entregavam compras ou jornais, limpavam jardins, qualquer coisa. Aprendiam a ser homens. As meninas aprendiam as prendas domésticas. Bordar, cozinhar, costurar. Eram criadas para o casamento.
À tardezinha, ainda faziam as tarefas escolares e depois sim, as brincadeiras na rua, acompanhadas de perto pelos pais, que sentavam na calçada a conversar com os vizinhos.
Havia respeito, cuidado, preocupação. Preocupação em fazer com que esses meninos e meninas fossem pessoas de bem, responsáveis e tivessem suas famílias bem constituídas no futuro. Preocupação com a dignidade e a moral, mais do que com o intelecto, já que continuar os estudos depois do “ginásio” era coisa para poucos e o acesso às informações era restrito ao rádio que nem todos tinham e aos jornais cujas notícias nem sempre eram de última hora. As crianças eram felizes!
O tempo passou, mais mudanças. A liberação sexual, a liberação da mulher, a liberação de tudo. Estudos mostraram que a criança era criança e não um adulto pequeno. A elas foi destinado um arsenal de métodos, leis, sistemas, códigos,estatutos.
Os pequenos trabalhos que os mantinham ocupados e que ensinavam a responsabilidade foram veementemente proibidos.
Lugar de criança é na escola!
Concordo! Tanto que sou professora, quero todas as crianças na escola.
Mas que escola? O que se aprendia no Grupo Escolar, hoje não se aprende no ensino médio. Aqui na minha cidade, quando era ainda uma pequenina cidade, o diretor da escola saía às ruas em véspera de provas e mandava para casa todos os alunos que encontrasse.
E isso com o apoio das famílias.
Bem, muitas coisas existem para se falar nas diferenças entre os tempos. Mas o que causa maior indignação é que quando descobriram a criança como ser pensante, descobriram-na também para muitas outras coisas. Tantas leis para protegê-las e nunca estiveram tão à mercê da violência, do desrespeito. Aí me pergunto... Em que parte do caminho tudo se desviou? Como uma pessoa pode destruir uma criança desse modo? E normalmente pessoa próxima. Pai, tio, vizinho, aquele grande amigo da família... Até o avô!!! Justamente aquelas pessoas que se espera, deveriam amar, cuidar, proteger...
Avô... Neste exato momento, enquanto escrevo, recebo a informação de que aqui, na minha cidade, que já foi pequenina e segura, acaba de ser preso um “avô” com sessenta e seis anos de idade, pedófilo, guarda de uma pista de skate frequentada por crianças e adolescentes que se tornavam suas vítimas. Preso em flagrante, disse tranquilamente aos policiais que não via nada demais em fazer uma coisa assim. Afinal, ele dava doces, dinheiro e brinquedos àquelas crianças, que mal tem? A idade dessas crianças? De dois a quatorze anos e de preferência meninos.
É... acho que estou mesmo fora de área. Não consigo dimensionar o sentimento de indignação que me toma neste momento. Gostaria de poder escrever mais, tanta coisa para se dizer, mas depois dessa notícia, aqui tão perto, as palavras se perdem para os fatos.
Só posso dar aqui o meu grito de socorro pelas nossas crianças!
Lygia